18 de julho de 2009

Definitivamente

Eu, definitivamente, cansei das pessoas. Cansei de perder meu tempo. Continuo guardando todas as palavras não ditas, essa dor reprimida e o sentimento de solidão constante. Cansei dos amores não correspondidos e demasiadamente doados, das angústias sentidas, das vontades repentinas. Cansei do meu coração tão instável e suas idéias reversas, bolando planos que nada acarretam além de tolas esperanças que logo se apagam com as lágrimas que escorrem. Cansei desse medo de não corresponder as expectativas e acabar sozinha. Questões em meu íntimo clamam por veemência, impedidas pela torpe insegurança de expô-las. Eu não sou tão triste assim, é que hoje eu estou cansada. :/

Naive - The kooks



I'm not saying it was your fault
Although you could have done more
Oh you're so naive yet so
How could this be done
Your such a smiling sweetheart
Oh and your sweet and pretty face
In such an ugly way
Something so beautiful
That everytime I look inside
I know she knows I'm not fond of asking
True or false it may be
She's still out to get me
I know she knows I'm not fond of asking
True or false it may be
She's still out to get me
I may say it was your fault
Cause I know you could have done more
Oh you're so naive yet so

- As músicas tocam todos os dias na minha cabeça. É difícil organizar meus pensamentos.

3 de julho de 2009

Indelével

Busco algo que me inspire. Algo que me aqueça nesse tempo frio. E como demoro a encontrar, meu refugio é o papel. As palavras encantadas surgem no alto da folha, elas dançam na minha mente, tomam vida. Cores, amores, amigos. Materializam meus devaneios, as coisas que sinto, tornando dizível o indizível, de forma indelével.
Quando escrevo me perco – e acho.

1 de julho de 2009

Aquele sorriso


E acontece: o avista. Quer lhe falar coisas, coisas que sente.
Hesita.
Tinha uma frase que pensou, mas não conseguiu dizer. As letras dessa estrutura se despedaçaram, mas a estrutura do pensamento permanece intacta ali, camuflada por seu silêncio.
E ela permanece em silêncio. Ele a olha com uma cara incrédula de quem espera, paciente. Ela suspira um "oi" e se afasta sem olhá-lo. Queria gritar-lhe a plenos pulmões, para que a ouvisse e compreendesse. Talvez o tempo desloque os seus desejos, ou talvez o faça escutar o que ela diz baixinho, o que diz com os olhos toda vez que o vê. Com o coração a mil, cria coragem e olha para trás. Ele permanece lá parado olhando-a se afastar, com um ar de riso. Ah, aquele sorriso torto que a entorpece. O sorriso dele era o mais digno dos diamantes - ou qualquer outra pedra preciosa - para ela. E ele nem sabe disso, na verdade, ele sempre esteve ocupado demais durante todo esse tempo. Ela tem um súbito de medo. Será que ele desconfia? E se desconfiasse o que faria?
Um dia cria coragem e pergunta-lhe ela mesma.

30 de junho de 2009

Aos cavalos de Tróia

Lembro que quando eu era criança, quando eu ainda amava as pessoas, quando eu era uma pessoa afetiva, eu tinha vários amigos. Amigos esses que fui afastando com o tempo. O afeto deu lugar a frieza. Minha frieza é o meu sustento, minha proteção, minha defesa. Age como uma muralha. Mas a muralha tem sempre umas seteiras, que não servem somente para despejar óleo fervente sobre a audácia de qualquer invasor, que feito cavalo de Tróia, decidiu ver o que existe para além daquela fortaleza. Servem para espreitar o mundo, deixar de vez em quando entrar uns traços de luz e iluminar o pó que se assentou com tempo. Estou a tempos envolta nessa muralha, me sinto claustrofóbica, meu corpo deve ser pequeno demais para minha alma, ou minhas angustias grandes demais para caberem em mim. Ela costumava ser como uma porta, que se abria de vez em quando para uns poucos aventurados, mas que com o tempo foi se solidificando devido aos conflitos internos e a necessidade de reparos. Porém não há reparo que remova as cicatrizes que ficaram.
Aos cavalos de Tróia da vida, digo para se cuidarem. Essa muralha guarda uma fera. E a fera ta ferida, mas não ta morta.