18 de abril de 2011

Margaridas não têm espinhos.

Sentada na minha cama, olhei em volta. Bem em cima da cômoda um porta-retrato com a foto de duas margaridinhas. Sorri por um momento, mas o sorriso foi se derretendo. Levantei-me e o segurei. "Olá, Margaridinha. Não posso te manter presa aqui, sabe. Longe do sol. Corres o risco de desgastar-se com a friagem úmida do meu quarto."
Segurava tão forte que o vidro se quebrou, cortando as minhas mãos. Retirei a foto de entre os cacos e a rasguei em vários pedacinhos. Joguei-os pela janela na brisa que passava e fiquei ali a observar seu vôo, seu brilho na luz do sol que se punha. "Margaridinha linda, não és mais minha. Segue agora feliz pelos ventos da vida."
E os meus olhos arderam quando a janela foi fechada.

Não vou roubar teu tempo, eu já roubei demais 

Your eyes were cold as ocean ♪

- Quem é aquela menina?
- Que menina?
- Aquela ali, com fones. Bastante concentrada no papel em que escreve.
- Ah, aquela menina.
- Uhum, ela é estranha né?
- Estranha como?
- Sei lá, parece que ela não existe pra vida.
- Hm, é. Ela fica tão imóvel que nem parece real.
- É, as vezes parece fantasma.
- Eu hein, Deus me livre.
- Não gosto de olhar pra ela.
- Né? Tem uns olhos assim frios. As vezes é como se ela olhasse através de nós.
- Shh! Para de falar, ela tá encarando a gente.

14 de abril de 2011

Venha pra perto de mim..

Fones no ouvido. Volume alto para não ouvir as vozes. Como se o silêncio fosse absoluto por trás da trilha sonora. Quinze passos e já me sinto como um detento que segue seu caminho pelo corredor da morte até a cadeira elétrica. Mas diferente do corredor da morte real, aqui as pessoas riem, fazem piada, se tocam e falam coisas. Tá estampado na minha cara de desprezo que eu não pertenço a isso aqui. É engraçado saber quantos postes tem no caminho até em casa. É engraçado o ardorzinho que dá nos olhos ao olhar para o lado e não ter aquela pessoa totalmente esparramada na sua cadeira, ou ver que sua caneta continua ali onde você deixou e não foi parar magicamente num outro estojo. Não, não é engraçado. Eu só queria me sentir em casa, casa é onde quer que você esteja comigo.
 
-Venha pra perto de mim e veja como eu estou só..

21 de janeiro de 2011

Sunrise

Tenho um Sol tão lindo e brilhante. Um brilho que me ofusca e encanta. Um Sol com mãos quentes que me percorrem o corpo, me acelerando os batimentos e arrepiando cada centímetro de mim. E com lábios também quentes que me dominam, silentes, quando de encontro a minha nuca. Lábios que me adoçam a boca e alma no segundo em que tocam os meus. Ah, meu Sol, que frio a sua ausência proporciona. Esperei horas aqui aqui sentada, só pra te ver nascer. E ainda que coberto por nuvens e tão longe lá no horizonte, teus raios me alcançaram hoje.

20 de janeiro de 2011

Julho de 2009.

Feira de Santana, Bahia. Julho de 2009.

Queen,

Os bons morrem jovens, já dizia o poeta. É, mas ele deveria saber que os nem tão bons morrem jovens também. Não  por influência do destino ou algo do tipo. Talvez por estupidez, por querer abrir mão de tudo, assim, de forma triste, trágica, covarde. Aposto 2 dedos da mão que você deve ter pensado: "Que vadia louca e estúpida!" É, acho que sou tudo isso, inclusive covarde. É ignorância dizer que precisa-se de coragem para tomar uma decisão dessa. Não. Precisa-se é de muita covardia.
Sabe, você é uma das pessoas mais inteligentes que tive a honra de conhecer. E não falo de boletins, escola. Vai muito além. Você sabe tanto da vida, mesmo estando nas primeiras primaveras da sua. Você me compreendeu de maneira singular, enxergando através dessa neblina de dureza e rebeldia. E por trás das palavras trêbadas, lia uma mente sóbria.
Olha, não compare a efemeridade de minhas palavras breves, das quais te considerei - especialmente - merecedora,  a infinidade do carinho que tenho por você. Dessa vez não pretendo ser prolixa.

ps.: Augusto estava certo, afinal.

     "É a solução de quem não quer perder aquilo que já tem e fecha a mão pra o que há de vir ♪ "