4 de junho de 2010

A verdade é transparente no mirar da tua retina.

Não consigo ler seus olhos confusos, não olhando tão de longe. Como se em meio a tanta cor eles apenas refletissem. Como uma janela de vidro fechada.
Lembro-me bem dessa cena, fruto de alguma brincadeira idiota, você se desequilibra no alto da escada. Como se tivesse sido programado, eu ao seu lado, sou o que você se segura pra não cair. Ali, olhando tão de perto, já não há reflexo. A verdade é transparente no mirar da tua retina. Como se pudesse ver dentro da alma e ouvir o que você pensa, e sentir o acelerar do coração devido ao susto de cair - ou ao toque. Tenho vontade de rir, rir pra sempre. Mas não de desespero, não dessa vez. 

30 de maio de 2010

Ironic

As luzes e cores me deixaram tonta. O som silenciara, mas era estranho porque as pessoas continuavam dançando. Confusa, sentei-me numa cadeira posta em um canto. Como se tivesse levado um choque de alguns mil volts, o meu coração palpitava dolorosamente e se tentasse ficar de pé, falharia.

- O que houve? – Perguntou alguém abaixando-se ao meu lado.
- É a minha possibilidade de felicidade saindo por aquela porta, segurando a mão de outro alguém.



Pra ler ouvindo Ironic- Alanis Morissette

15 de maio de 2010

Eu andei pensando..

Quer saber o quanto uma pessoa é importante? Imagine-se sem ela. Ou simplesmente abra totalmente mão dela por um tempo, veja o tamanho do buraco que se forma em você e o tanto que ele queima. E tente identificar as cores que faltam nas imagens que você vê. Mas é importante que você saiba ser frio e indiferente. Não demonstre fraqueza. Aja como se as coisas continuassem coloridas como sempre. E então você deseja encontrar algo morno, porque está tremendo de frio. É contraditório, pois sente que está em chamas por dentro, mas esse fogo não te aquece. Quando ninguém parece estar olhando, você fecha os olhos e sente-os arderem, descansa sua cabeça nas mãos com os dedos gelados cobrindo as pálpebras e o ouvido, como certa vez viu em algum lugar. O silêncio te envolve e aquele som de riso deixa de te chatear, a sensação é confortável e ali você baixa a guarda, secretamente. Porém, logo você deve por a sua máscara novamente. E então você sustenta um sorriso radiante, ainda que ele exija o pouco fôlego que te sobra. Ri de coisas idiotas e insignificantes, vindas de pessoas mais insignificantes ainda, só para provar que você pode agüentar, que a sua vida é a mesma e que é possível ser alegre e rir de coisas bobas.
 Você espera poder ser feliz assim. Mas entenda: as possibilidades de felicidade são egoístas, meu bem. Talvez você deva deixar o seu orgulho de lado. Ou talvez não haja nesse mundo felicidade para você. Mas nunca desista. Talvez você morra tentando.

26 de abril de 2010

Nightmares

         Lembro-me de uma menininha que não temia coisa alguma. Para ela o escuro era um detalhe, uma oportunidade. Hoje ela tem medo de fechar os olhos. Imagens, cores e sons. Um estranho que a observa do canto do quarto, sem nunca piscar. Se tivesse voz, ela perguntaria o seu propósito, se tivesse força, ela levantaria e o expulsaria de lá, mas algo a deixa imobilizada, como se amarras invisíveis em volta dos seus braços a prendessem ali. Uma raiva lhe consome, e com a raiva vem o medo: era impotente quanto a ele. O silêncio mantido permite ouvir os acelerados batimentos cardíacos dela como se o seu coração, além dos seus olhos, fosse o único a notar aquela presença.







1 de abril de 2010

" Toy Story " *

                A neblina que te envolve me impede de enxergar-te. Uma neblina furta-cor que me embaça a visão se olho diretamente. Não te olho. O efeito que provocaria, tal como a medusa, me transformaria em pedra. Um balde de água gelada no meu ego. Posso ver, você está bem. Percebo agora. Coisas que joguei fora deixaram um buraco em mim. E como será? Não sei. Apenas sei que tudo deixa de ser com um tempo. Então, de que valeram todos os esforços que fiz para salvar-te? Ainda assim caíste na gaveta de “quinquilharias” da minha memória. Como um brinquedo que insiste em quebrar-se e não há nada mais a fazer por ele. É o tipo de coisa da qual sentiremos falta. Falta que provoca feridas incuráveis. Sabe-se que brinquedo como aquele não se fabrica mais, mas agora ele não passa de algo pelo que não se pode fazer mais nada. E como não há coragem para jogá-lo fora, guarda-se ali, como uma lembrança do quão reluzente ele já fora. E talvez um dia à noite, numa noite mágica, procurando um livro que possa ler antes de dormir, você ache o tão estimado pertence e só assim lembrará a falta que sente e o tanto que quis esquecer-se dele.
                    
 Feliz Páscoa. Viva à hipocrisia, viva à futilidade. Viva às delícias pagãs e aos novos brinquedinhos estúpidos que vêm dentro delas a cada ano que passa.