22 de maio de 2011

Apelo ao meu coraçãozinho de pêlo.



Ainda lembro de te ver saltitar ronronando em minha direção. E que apenas com um grito, lá estava. Lembro de como você odiava atenção dividida e ver uma porta fechada e de como ocupava todos os lugares da casa. Onde estás, pequenina? Eu não te vejo. Não estás aqui a me aquecer e meus pés estão frios como gelo. Por que sumistes? Não sabes que te preciso aqui? Sempre fostes minha companhia madrugada a dentro, em noites vazias. Onde estás, minha menina? Volte! Tão ágil, tão pequenininha, tão peludinha. Use seus poderes mágicos e pule de repente no meu colo. Mie indignada à minha porta fechada. Não gaste suas muitas vidas longe de mim. Volte. Eu sinto tanta saudade e simplesmente não consigo te deixar ir.


"(...) Você está quase sempre perto de mim, quase sempre presente em memórias, lembranças, estórias que conto às vezes, saudade..."

18 de abril de 2011

Margaridas não têm espinhos.

Sentada na minha cama, olhei em volta. Bem em cima da cômoda um porta-retrato com a foto de duas margaridinhas. Sorri por um momento, mas o sorriso foi se derretendo. Levantei-me e o segurei. "Olá, Margaridinha. Não posso te manter presa aqui, sabe. Longe do sol. Corres o risco de desgastar-se com a friagem úmida do meu quarto."
Segurava tão forte que o vidro se quebrou, cortando as minhas mãos. Retirei a foto de entre os cacos e a rasguei em vários pedacinhos. Joguei-os pela janela na brisa que passava e fiquei ali a observar seu vôo, seu brilho na luz do sol que se punha. "Margaridinha linda, não és mais minha. Segue agora feliz pelos ventos da vida."
E os meus olhos arderam quando a janela foi fechada.

Não vou roubar teu tempo, eu já roubei demais 

Your eyes were cold as ocean ♪

- Quem é aquela menina?
- Que menina?
- Aquela ali, com fones. Bastante concentrada no papel em que escreve.
- Ah, aquela menina.
- Uhum, ela é estranha né?
- Estranha como?
- Sei lá, parece que ela não existe pra vida.
- Hm, é. Ela fica tão imóvel que nem parece real.
- É, as vezes parece fantasma.
- Eu hein, Deus me livre.
- Não gosto de olhar pra ela.
- Né? Tem uns olhos assim frios. As vezes é como se ela olhasse através de nós.
- Shh! Para de falar, ela tá encarando a gente.

14 de abril de 2011

Venha pra perto de mim..

Fones no ouvido. Volume alto para não ouvir as vozes. Como se o silêncio fosse absoluto por trás da trilha sonora. Quinze passos e já me sinto como um detento que segue seu caminho pelo corredor da morte até a cadeira elétrica. Mas diferente do corredor da morte real, aqui as pessoas riem, fazem piada, se tocam e falam coisas. Tá estampado na minha cara de desprezo que eu não pertenço a isso aqui. É engraçado saber quantos postes tem no caminho até em casa. É engraçado o ardorzinho que dá nos olhos ao olhar para o lado e não ter aquela pessoa totalmente esparramada na sua cadeira, ou ver que sua caneta continua ali onde você deixou e não foi parar magicamente num outro estojo. Não, não é engraçado. Eu só queria me sentir em casa, casa é onde quer que você esteja comigo.
 
-Venha pra perto de mim e veja como eu estou só..

21 de janeiro de 2011

Sunrise

Tenho um Sol tão lindo e brilhante. Um brilho que me ofusca e encanta. Um Sol com mãos quentes que me percorrem o corpo, me acelerando os batimentos e arrepiando cada centímetro de mim. E com lábios também quentes que me dominam, silentes, quando de encontro a minha nuca. Lábios que me adoçam a boca e alma no segundo em que tocam os meus. Ah, meu Sol, que frio a sua ausência proporciona. Esperei horas aqui aqui sentada, só pra te ver nascer. E ainda que coberto por nuvens e tão longe lá no horizonte, teus raios me alcançaram hoje.