20 de janeiro de 2011

Julho de 2009.

Feira de Santana, Bahia. Julho de 2009.

Queen,

Os bons morrem jovens, já dizia o poeta. É, mas ele deveria saber que os nem tão bons morrem jovens também. Não  por influência do destino ou algo do tipo. Talvez por estupidez, por querer abrir mão de tudo, assim, de forma triste, trágica, covarde. Aposto 2 dedos da mão que você deve ter pensado: "Que vadia louca e estúpida!" É, acho que sou tudo isso, inclusive covarde. É ignorância dizer que precisa-se de coragem para tomar uma decisão dessa. Não. Precisa-se é de muita covardia.
Sabe, você é uma das pessoas mais inteligentes que tive a honra de conhecer. E não falo de boletins, escola. Vai muito além. Você sabe tanto da vida, mesmo estando nas primeiras primaveras da sua. Você me compreendeu de maneira singular, enxergando através dessa neblina de dureza e rebeldia. E por trás das palavras trêbadas, lia uma mente sóbria.
Olha, não compare a efemeridade de minhas palavras breves, das quais te considerei - especialmente - merecedora,  a infinidade do carinho que tenho por você. Dessa vez não pretendo ser prolixa.

ps.: Augusto estava certo, afinal.

     "É a solução de quem não quer perder aquilo que já tem e fecha a mão pra o que há de vir ♪ "

Voe por todo mar e volte aqui.

A verdade é que eu já estava desistindo e me joguei na frente de qualquer decisão que você fosse tomar. Como se pulasse de um abismo e você fosse o meu para-quedas, abrindo conforme sua vontade. Confiei minha vida a você, confiei a minha felicidade. Apostei todas as fichas. Agora que me dei conta da profundidade a que atingiu esse tão novo-e-imprevisível amor e o tanto que vai doer para arrancá-lo de lá. 
Sinto essas palavras como se tirassem o peso de seu significado de cima de mim. Sabendo que ao lê-las, compartilhará o meu fardo, pois não as confiei a mais ninguém. E conhecerá o meu coração, olhará dentro dele e lá encontrará  a memória e a experiência que lhe pertencem, que são você.  Sempre foi você.
É amor, to soltando da tua mão para que voe e alcance horizontes outrora sonhados por ti. Mas espero que volte. E que ao me ver teu coração bata tão forte quanto os cacos do meu.


"Aos caminhos eu entrego o nosso (re)encontro."

21 de dezembro de 2010

Que se há de fazer?

Hoje chorei por mim. Hoje chorei por você. Esvaziei, sabe? Não sei quando, mas adormeci no meio da dor. Acordei assustada e já passava das três. Um vento gelado entrava pela janela, provocando calafrios por todo o corpo. Não pensei em me encolher, nem puxar o lençol até o queixo, apenas joguei-o no chão.
É isso aí, pequena. Acostuma-te ao frio. Que se há de fazer?

15 de novembro de 2010

Caçador de raios

Nesse jeito de andar, cabeça erguida, bem ‘tô nem aí’ pra vida, já caminho há dezessete anos. Logo atrás de mim sinto a depressão que se aproxima, como uma nuvem carregada de chuva. Não há abrigo. Não me sinto pertencente a lugar algum. Imagino a chuva que está prestes a desabar sobre mim. Percebi que o passar do tempo me tornou cada vez mais ímpio e empedernido. Dois puta palavrões, que prefiro os dizer assim, causando estranhamento, do que um imediato entendimento clichê. 
Por um segundo penso em correr, talvez se eu for rápido o suficiente a nuvem não me alcance. Ou talvez, contrariamente, eu suba em algum lugar alto o bastante para, com sorte, ser atingido por um raio, comum em um tempo carregado como tal. Dois mil volts correndo pelo corpo, deixando para trás nada ao invés de pó. Do pó viestes, e é para lá que vais. Olha só que jeito atípico de morrer - Caçador de raios. Insano e desbravador. Só falta uma cortina e uma platéia.
Não. Nunca quis meus feitos testemunhados, pois isso é que torna as grandes ações mais fantásticas do que realmente foram. Assim maquiadas pelo contador da vez. Ninguém nunca terá realmente certeza do que houve, apenas você.
 Um raio que transforma em pó, de certo é mais interessante do que um corpo que afunda num mar, ou uma mente estraçalhada por um projétil. Tenho na minha mão um 38 com uma bala apenas. Numa roleta russa, entrego minha vida ao destino. E estou certo do que ocorrerá a seguir.
Desejo que o mundo tenha a decência de te manter jovem, Moleque. Diferente da alma velha e podre que me foi dada de presente. E olha,  garoto, desculpa. Desculpa por ser um péssimo exemplo de hombridade. Diversas vezes você testemunhou minha covardia e corajosamente mentiu para me proteger. Éramos você e eu contra o mundo. Agora é só você.
Eu odeio isso aqui, irmão.

9 de novembro de 2010

Sunshine


   Na primeira vez que você entrou em foco, pensei comigo que se não pudesse estar próxima de você, eu morreria. Eu devia estar cega todo esse tempo, nunca tinha visto você brilhando. E isso é algo com o que eu tenho que conviver. Você mudou tudo. Eu passei tanto tempo submersa, castigada por amores demasiadamente doados, amores platônicos, impossíveis. Não acredito que voltei só por causa de você. Eu tenho que te apagar, esquecer da sua existência. Mas bem devagar, pra o meu coração não esquecer também de continuar batendo.