8 de janeiro de 2010

Ah, eu gostaria de ter asas.


Sentei-me bem na beirada e fiquei olhando lá pra baixo até me assustar com um leve movimento ao meu lado. Me impressionei com tamanha graça e beleza. Ele parecia um anjo, talvez até fosse. Eu nunca fui uma pessoa muito crente, mas é como se naqueles últimos momentos a minha mente tivesse se aberto a toda e qualquer possibilidade.
- Qual seu nome?
- Castiel.
- O que é você?
Eu não pude deixar de perguntar. Sabia que não podia ser humano. Ele simplesmente havia aparecido ao meu lado, feito mágica.
- O que você imagina que sou?
- Não sei ao certo. Um anjo?
Percebi que ele estava descalço, assim como eu. Balançando os pés justamente como eu estava fazendo.
- O que faz aqui, Castiel?
- Algo me trouxe aqui.
- Como acha que vai ser? – Perguntei olhando lá pra baixo.
Ele me olhou por um momento, me estudando.
- Talvez não precise ser.
- Para que veio aqui? Se foi para tentar me impedir, digo que perdeu sua viagem.
- Não, na verdade eu até pularei com você.
- Onde estão as suas asas?
- Elas não são necessárias agora.
- Ah, eu gostaria de ter asas.
- Asas te dão a leveza do vôo, mas você não imagina o peso que é preciso carregar nos ombros.
- Sabe, eu já carrego um peso sem ao menos ter asas.
- Entendo. E seria esse o motivo de estar aqui?
- Certamente.
- Milagres não existem, sabe?
- Não espero por um. E sabe, Castiel, não sei quanto a você, mas eu já vou indo.
E pulei.

22 de dezembro de 2009

Letter .

Você me conhece tão bem e sabe que odeio falhar. Odeio. Sei o quanto você irá me odiar nesse momento. Eu sinto muito. Sinto tanto. Tenha paciência comigo, por favor. Não estou te abandonando, não pense assim. Sempre fui por você, sou por você. Eu serei o seu anjo da guarda. Te prometo que não deixarei que mal algum lhe atinja. E nunca haverá frio, nunca haverá medo. Quando parecer que o mundo a sua volta está ruindo, não haverá dor. Eu preciso que seja assim, meu bem. Preciso disso. Já sentiu como se estivesse morrendo aos poucos? E uma dor que não é física e deixa minha mente dormente. Me prometa algo. Estude, se cuide e seja muito feliz. Cante alto quando estiver triste e mais alto ainda quando feliz. Isso é tudo.
Eu te amo muito.

Essa vida louca vida, essa vida breve. Já que não posso levá-la, quero que ela me leve.

17 de dezembro de 2009

Formigas não têm sentimentos

Rotina. Sobe, desce, cava. É proibido parar pra dormir, é proibido parar pra descansar. O cair de uma folha pode atrapalhar o caminho por alguns poucos segundos, fazendo-as sair daquele torpor, atrapalhando a automaticidade dos movimentos. O desespero reina por um ínfimo de tempo, porém uma solução é logo aplicada: simplesmente contornar a folha. Assim acontece, infinitamente. Civilizações são escavadas sob civilizações. Se um piquenique desfrutado num parque por um casal apaixonado entra no meio do caminho das formigas, não haverá amor - nem um grãozinho de brioche sequer pra contar história.

Formigas não dormem, formigas não são muito ambiciosas. Formigas não têm sentimentos.

 
 
Pra Yasmim Lisboa, inspiradora desse textinho tosco *-*

20 de novembro de 2009

Lacônicamente, pra variar.

O que você quer? Olha pra mim, vê. Eu não presto, nem sinto muito. E se disser que sinto, minto. O melhor de mim eu escondo e o pior eu exibo estampado na minha cara. Nesse olhar frio e direto que transpassa o corpo e a alma, que feito detector de mentiras, sente cada vibração, cada mudança de postura. E se o teu coração palpita, posso ouvir a quilômetros de distância, como uma melodia cantada pra me enfeitiçar. Mas não. Você não me engana, nem com o seu discurso mais prolixo sobre o que é o amor, sobre que sem você não saberei quem sou. Desculpa, meu bem, mas se iludir é dos anos 80. Perdeste o lugar no pódio das minhas lembranças. Envergonha-te.


* nota: pequena frase do Bial, referindo-se a Caju.

19 de novembro de 2009

Falling.

E a queda foi alta do lugar de onde despenquei, feito anjo que morreu de raiva. Não sei como ou por quê. Talvez sejam as minhas asas de papel que me impeçam de voar em dias de chuva. Já que ao cair perdi minha graça, a minha sina é ser mortal.